sábado, 23 de agosto de 2008

uma conversa com minha sombra...



Quando estou aqui pensando tudo passa na minha pequena cabeça.
Quantas coisas a fazer, quantas coisas a deixar de fazer; vontades, desejos, realizações.
Para que serve tudo isso? Se quando as realizo (aquelas que são possíveis) a satisfação é uma coisa tão frágil que costuma se quebrar ao primeiro perder do olhar.
É para isso que servem os sonhos? Para correr atrás deles, realizá-los e depois aguardar o vazio, a sensação de voltar ao início sempre? Só mudam as caras.
Mas o mundo aí fora segue assim: a multidão faz isso, vende isso, compra isso, assiste isso. Será que existe alguma verdade nisso? Será?
Eu faço parte da multidão, então tenho que seguí-la, mesmo me achando deslocado dela.
O caminho solitário é mesmo sozinho?
Se a vida quer que eu a siga assim, por que ela me permitiu encontrar uma lacuna em tudo isso? Por que, hein? Por quê?
Aceitar seria o caminho; pelo menos é assim que dizem os mestres.
Mas aceitar o quê? Aceitar o filho da puta que não aceita o meu direito de ser do jeito que sou?
Como seria bom se cada um tomasse conta da sua própria vida! Talvez seja isso o paraíso, hahahahaha.
É, às vezes o caminho da espiritualidade deveria ser mais concreto do que efêmero.
Com Alberto Caeiro aprendo que a diferença está na natureza e não nas cousas. Com meu amigo Quintana, a saída é amar o cotidiano. Já com Clarice, não tem jeito, a coisa é triste mesmo, mas com muita poesia.
Ah, é isso aí. Precisa de um pouco de poesia para sentir verdadeiramente essa vida.
Às vezes me pergunto: Será que o melhor é viver a vida sem razão nenhuma e seguir com sentimentos descontrolados, se enfiando até o talo em tudo que aparece, mas pagar o preço, às vezes caro de sangrar, se machucar grave, mas pelo menos estar íntegro, nem que seja em uma experiência de merda? - E olha que já vi muitas pessoas fazendo isso. Quantos artistas! Será que isso os deixa mais artistas do que os outros? Será?
A outra opção seria assistir a tudo isso, como uma imagem estática, neutra, deixando as coisas apenas passarem, sem intrometer, sem interromper. O tal “observar”.
Mas com o preço que às vezes... pode dar aquela sensação de não estar vivenciando nada, sabe?
Parece que o ser humano está muito acostumado com a movimentação, com o opinar, com o julgar, com se enfiar, etc, etc, etc. E o não movimento parece ser uma coisa de outro mundo.
Não me venha com a tal historinha do caminho do meio, que eu vou mandar você tomar no cú. Pois, quando o calo aperta, a única coisa que passa na mente é fechar os punhos e dar um belo soco naquele cara chamado Deus, ou na primeira pessoa que te olhar torto, pois esse é a semelhança daquele. E o primeiro, é difícil de encontrar.
Quantas historinhas, quantas! Você poderia parar de me contar histórias, por favor?! Que eu não agüento mais! Já basta eu e a minha cabeça!
Você está certo em dizer que eu só trouxe questionamentos, mas de qualquer forma, eu não tenho nenhuma resposta.
Para a minha imagem não ficar de um arrogante, vamos fazer um combinado? Tu ficas com a tua verdade e eu com a minha. Assim quem sabe não salvamos o mundo.
Mas quem foi mesmo o infeliz que enfiou na minha cabeça que o mundo está querendo ser salvo? Quem?


5 comentários:

larissa disse...

"Tá bom! Eu fico com as minhas verdades, você com as tuas. Mas...
Que que você acha se a gente as trocasse de vez em quando? Quem sabe isso nao ajuda a gente a crescer e ser mais feliz?"

Algumas coisinhas da Jéssica disse...

É, muitos questionamentos mesmo!
Bom, não acho que o mundo queira ser salvo. Aliás, acho que poucas pessoas querem se salvar de uma vida sem graça, sem vontade, pois do contrário, elas ao menos fariam o máximo de coisas que querem. Ou tentariam descobrir do que gostam e não apenas seguir aquilo que disseram que elas teriam que gostar. Acho que isso é o autoconhecimento, vc descobrir quem é lá no fundinho, sem muitas referências dos outros. É difícil, claro! Mas um dia após o outro, né?
Quanto essa questão da "verdade", acho que ela em si, não existe. Vai sempre depender do ponto de vista de quem observa.

Marcel disse...

Espetacular!
Milhares de vezes na inha vida tive vontyade de fazer um desabafo como esse, e nunca consegui com tal maestria.
Deu gosto de ver.

...

Mas tem saída....real e nada abstrata.

Marcel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Neno disse...

Eu fico pensando... porque tento salvar o mundo dos outros, ao invés de prestar atenção em mim , e tentar salvar o meu próprio mundo ??

Porque é tão difícil sair dessa loucura toda e ter um pouco de paz ??